O Sexo e a Igreja

Estava sentado no sofá quando, por obra do acaso (ou não), vi uma notícia passar na televisão de um tal padre que havia aparecido em cuecas numa cama. O choque. Mas porquê? Ah, claro, é padre. Evidentemente que tudo muda de figura. O tribunal da Santa Sé Apostólica já a preparar os milhentos papéis do processo. O Papa em cuidados porque é menos um a pertencer ao clã da santidade e a mostrar lá para casa que afinal não há santos no convento. Enfim, um rol de muita gente que é posta ao barulho por, e vejamos, uma fotografia colocada na internet. Agora, há aqui algumas questões que me causam urticária. De facto, o padre em questão não era o sumo pontífice da sensualidade, porque se o fosse, se calhar, diria, as críticas seriam outras. Primeiro porque era um “bonzão de primeira”, segundo porque era pecado um homem daqueles estar entregue a Deus. É mais que óbvio que o tal fulano se quisesse justificar perante os fiéis, que na verdade nada fazem entre 4 parede, por quem sois, então, nada disso, que ultraje! Disse ele que foi uma “rapidinha”, das duas uma, ou a foto ou a “loirinha”, com quem ele estava. Só não sabemos se do sexo masculino ou feminino. Esse pormenor escapou-me. No fundo, também não se quis revelar. Não houve interesse de parte a parte, acho que é o mais sensato referir.

Igreja. Instituição maior que reúne milhões de fiéis. E quando toco neste assunto, longe de mim querer procrastinar acerca dele ou, até, insurgir-me contra tal em tom de gozo. Um dos pontos fundamentais da religião, e não é preciso ter-se uma para o saber, é o respeito. E eu tenho muito disso. Cada um usa a sua liberdade da forma como bem lhe queira, tendo sempre, claro, em conta os limites do próximo. Caramba! Que ironia do destino gigante. Da última vez que fui assistir a uma missa de base católica, lembro-me que o padre pregava à sua maneira. E nós ouvíamos. “Façam o que eu digo, e não façam o que eu faço”. Pois eu pergunto-me, então, o que ele tem a mais do que nós? Direito a tirar fotos pornográficas em cima de um colchão? E nós? E se me apetecer, por obra dos múltiplos prazeres, ser fotografado por uma “loirinha” (ou “loirinho”, quem sabe) como a vida me trouxe ao mundo? Não posso? Então, mas houve um padre por aí que o fez. “Mas não podes, meu filho”. Tudo bem. Porém, ponho-me a pensar, depois, se não haverá uma espécie de seita entre os santos magistrados em que possam praticar o “bom sexo” a seu belo gosto. Vestes longas até aos pés já têm (muita coisa pode acontecer por baixo do hábito), bem sabemos que o hábito não faz o monge, ou se faz está a mentir, evidentemente. O luxo, a riqueza, a ostentação, tudo sinónimos de quem quer mostrar que está, que pode e que vai. Segundo ponto, a separação das mulheres e dos homens. Ou os homens entretêm-se bem uns com os outros assim como as mulheres. Ou é uma estratégia muito bem montada para que não haja qualquer desconfiança de quem anda com quem. Bem, e fora de telenovelas, pelo menos a mim não me enganam, já quem reza o terço todos os dias à mesma hora…

Se é um tema sensível? É, sem dúvida. Até porque, aparentemente, sexo e igreja não ligam muito bem. Azeite e água, diríamos. Contudo, e lá bem no fundo, naquelas caves bem apetitosas onde tudo acontece, a reza desvirtua-se um pouco daquilo a que estamos habituados. Há, digamos que, uma metáfora muito bem montada. Na mesma os bancos, os altares, as flores, os santos, o levanta, senta, baixa, ajoelha… tudo ao milímetro, posso garantir-vos. No fim, ajeitam as batinas, sobem as escadas, respiram, percorrem o corredor central da igreja, benzem-se e… “Pai Nosso que estás no Céu…”.

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