«Poder Canibal». Meu e Vosso.

17 de março de 2018. O início. E ali só tive certezas, do que eu era, do que eu queria, de quais as minhas metas profissionais. É, sem dúvida, a data da minha vida. E porquê? Como? De que maneira? Poder Canibal. Para muitos que não conhecem, e que por aqui começam a habitar, é o título do meu primeiro livro, lançado e publicado na data em que iniciei esta publicação. E, pessoalmente, gosto muito de falar do começo, da mudança, do que me alimenta todos os dias.

Era para se ter chamado Doce Engano e era para ter sido publicado em modo conto ficcional num antigo projeto online que tinha em mãos. Mas só tinha “nãos” na cabeça. Porque era um enredo demasiado forte e convincente para se resumir a meia dúzia de páginas. Merecia outro tratamento. Tinha 16 anos. 3 anos demorei a escrever 220 páginas de Word que se traduziram em outras tantas quando transformado em livro. Suei muito. Fiz diretas, escrevi em jardins, nos parques de Lisboa, na casa dos meus avós, no meu quarto, na sala, na cozinha, riscava, rabiscava, voltava atrás, digitava. Tinha (e ainda tenho) tudo guardado numa pasta. Os perfis das personagens, a trama, as árvores genealógicas, os capítulos… pedaço a pedaço. Nas últimas páginas só conseguia escrever de noite, quando a casa estava já adormecida. Fechado no meu quarto. O candeeiro da secretária, apenas, aceso. E ali ficava horas em volta do que me fazia feliz. Criar. Transformar. Idealizar. Até que cheguei à última palavra, a última frase que recordo ainda agora: “(…) para sempre presente nos vossos corações.”. Tinha coisas escritas antes, sei que sim, porém ficaram-me estas presentes na cabeça. Não sei porquê, mas sei que tem ali “corações”. É isso que me interessa enquanto artista. Apaixonar quem me lê, quem me vê, quem comigo conversa, quem me escuta ou, por outras razões, me sente. Este é o desafio. É aqui que se concentram as minhas lutas diárias. Porque quero fazer mais, porque quero fazer melhor, porque quero chegar a todos e a todas com a mesma vontade que me chego a mim primeiro. O Poder Canibal traduz em pleno essa criação do que me move neste meio artístico. Escrevi personagens que me deram muita luta e que me fizeram abrir horizontes da pessoa que sou hoje. Houve, até, um episódio, que nunca contei, onde, depois de ter escrito o livro e do ter lido em 4 dias, porque tinha de seguir para a editora, senão a data já não era o dia 17 (e a vida escolheu-me essa), cresceu em mim uma revolta e uma dor que me fizeram sentir de tal foram enjoado que passei alguns dias a “bater mal”. Havia razões? Todas. Ali, naquele livro, não está só um enredo de polémicas ligadas ao crime organizacional da droga e do terrorismo. Estão bocados daquilo que eu sou e que só o consigo ser quando estou comigo. Onde me encontro todos os dias quando chego a casa. A bem dizer, minha essência.

Falar deste projeto é falar de muita coisa que me transformou. Acabou por ser o meu desabafo público daquilo que me prendia a garganta. Tinha de falar, de expor, de mostrar o meu outro lado. É onde falo, sem medos, da bissexualidade, do crime, do sangue (e quem me conhece sabe a fobia que tenho associado a isso), da guerra, da família… E é a pérola da minha vida. Não dá, de facto, para esquecer, não o vou esquecer e é das coisas que, a par do amor de mãe, sei que é para Sempre. Foi Meu durante todo o tempo que o namorei, o escrevi, o embelezei à minha maneira. Hoje, aqui e agora é Vosso. Orgulho-me tanto disso que sei que qualquer um que nele pegar vai guardá-lo como algo de muito carinho.

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