Ganzas e cenas

Antes de falar-vos sobre qualquer coisa, quis ir investigar sobre o . Descobri que vem da língua ronga falada em Moçambique e que é muito utilizado em dialetos mais descontraídos. Há essa clara influência cá em Portugal. É uma coisa muito nossa, já repararam? Utilizamos a expressão para tudo. “Estás bom? .”, “Gostas de camarão? .”, por aí adiante. Sempre pensei que fosse um estrangeirismo alemão do “Sim” já que eles o prenunciam da mesma forma, porém não. Aliás, tenho vindo a notar que nós, portugueses, e mais a minha geração, a mais nova, jovens, temos 50% da língua dominada pelo que vem de fora. E é o sunset, o rooftop, beach party, summer fest… nada contra, atenção, acho um máximo. É uma nova magia que estamos a dar à língua portuguesa, já essa onde vai, nem vê-la. Aprender a falar e a escrever bem passou uma “beca” ao lado daquilo que se exige. Se calhar, e nisso concordo plenamente, a escola tem uma influência absurda na vida das crianças, mas isso é assunto para outros quinhentos.

Depois, e com o passar do tempo, as coisas chegam-me de outra forma. Vejo pessoal, da minha idade, muito dado à experiência, ao pisar o risco e fazer do perigo estilo de vida. Há muitas diretrizes que se perderam. A escola, por exemplo, atormenta-nos e faz-nos esquecer que há liberdade lá fora. A família, por conta da classe escolar, exige de nós coisas que não estão ao nosso alcance. Ninguém aprende a viver com regras estúpidas do que faz ou não sentido nas ruas de Nova Iorque, porque afinal é Lisboa. O que é isto, desculpem? Vive-se, vivendo. Aprende-se, aprendendo. Confundem-nos a toda a hora e não nos deixam ser o livre espírito que os nossos avós, fazem tão bem. Uma coisa é o respeito, a civilização e as leis da boa educação (três tópicos base para conseguirmos viver bem e respeitadores da sociedade), outra coisa, completamente diferente, são as nossas convicções. E é daí que vem a escapatória. Em território português? Óbvio que não. Temos de ir buscar ao estrangeiro, como sempre. Ganza. Era aqui que queria chegar. Nunca experimentei, é certo, e estou a ser o mais sincero possível. Gostava? Talvez, sim, quem sabe. Cá, no nosso país, já foram legalizadas doses vigiadas de cannabis para fins medicinais. O que acho excelente. Ao invés de químicos, a aposta em plantas naturais é, e deverá ser, uma realidade ainda mais promissora para o futuro. Até aqui tudo bem. Agora, fumar uma vez ou outra? Mais ou menos. Depende. Fumar, e este contexto socialmente reprovável, é uma maneira de, em jovens sermos fixes, no grupo dos mitras e tal, em adulto já é um vício, mais para a frente é difícil de largar e já vamos tarde. Não fumar é o ideal, sem dúvida. Quem fuma: um, dois cigarros por dia é a dose perfeita. Sim, estou numa de médico “fixarolas” que agora decidiu ser defensor desta porcaria e recomenda tipo de 8 em 8 horas. Não é isso que quero dizer. A ideia é esta: estamos presos a uma sociedade de valores secantes e morais. Está velha, ressequida, não há vontade de ninguém para a mudança. Qual a solução? Ser fixes. Com tabaco? Bem… Com coca? Uh, sim! Com marijuana? Melhor, sim! É por aqui, quer queiramos quer não é a única saída que se vai tendo para encontrar universos paralelos que não se enquadram cá. É mais fixe, dizem.

No fundo, aquilo que quis aqui pôr em causa é tudo uma questão de poder. Não há dinheiro, mas há tráfico e isso dá dinheiro. Não pode acabar. À volta deste tema há muito para se conversar, sem dúvida, e isto foi um desabafo de alguém de 20 anos que olha em redor e vê coisas acontecerem porque estão mal, no entanto há muito sentido para tudo se passar dessa maneira. São cenas e cada um tem a sua. Enquanto não se mudar o panorama, não se mudarão as vontades. Por isso, continuem meus putos…

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