O meu primeiro beijo

2016 e começara a faculdade no curso de Estudos Artísticos. Já lá vão 3 anos, é verdade. E tanta, imensa, coisa aconteceu. Como tudo na vida. Tudo vai e flui. No entanto, foi um ano de muita coisa, acontecimentos especiais posso dizer. De tudo, destaco o inevitável. Iniciava uma nova etapa no meu percurso profissional, a vida académica. Posso garantir-vos que é das coisas mais inacreditáveis que nós, enquanto jovens, podemos viver. Por tudo. Porque nos descobrimos, porque vivemos o impossível, porque encontramos pessoas novas… rumos inexplicáveis, companhias de todos os gostos e mais alguns. Enfim, vivemos a vida. Não temos preocupações, nem contas, nem responsabilidades financeiras (a não ser as tão belas propinas ou rendas de casa de estudantes “baratíssimas”)… nada.

Conheci, nesse mesmo ano, não vou sair dele neste texto (fica ponto assente), uma pessoa que não pensava de todo vir a ter conversa. Recordo-me de estar a entrar, depois de ter percorrido toda a faculdade às aranhas em busca de uma sala com um mapa nas mãos, numa sala, onde iria ter inglês. Era a minha primeira aula. Estava eufórico, mas ao mesmo tempo nervoso. Era o começo. Mais uma conquista. Tímido, muito. Meti conversa com uma colega que já conhecia da altura das matrículas e, ao lado, uma rapariga calada, introvertida, como eu naquele momento. Houve uma faísca momentânea de olhares que se cruzaram sem arrependimentos. Sabem? Aquele fascínio à primeira vista. As hormonas, talvez. Porém, estava a gostar, confesso. Mais tarde, ao final do dia, na última aula, entro na sala, cheia, tudo novo, nem vivalma conhecida, até que… espera, ali, na segunda fila, a tal rapariga com quem havia partilhado eye contact há umas horas numa outra sala. Rapidamente, e sem pensar duas vezes, vi que tinha lugar livre ao lado e, então, sentei-me, meti conversa. O professor ainda não tinha chegado. Deu para saber o básico, partilhar as redes sociais, nome (“Maria”, vou chamar-lhe assim), idades… o cliché habitual de etiqueta entre dois estudantes que estão em processo de conquista. Tudo perfeito até ali. A coisa estava muito bem delineada. Era gira, tinha o seu quê de boas intenções… muito bem, queria avançar.

Os dias foram passando, as semanas também… falávamos já há 2 meses, mais uns dias, não sei precisar muito bem. Estava encantado. Posso garantir-vos, até, que me sentia completamente apaixonado, não me perguntem como, porquê, quando. Estava. Não mandei nos sentimentos. Era a pessoa com quem queria viver o resto da vida. Sabem aquele típico pensamento que temos de que tudo é para sempre? Era tudo isso. Tinha 18 anos. Uma criança. Ela a mesma idade tinha, nada de mais. Nunca antes havia beijado alguém na boca. Mundo novo. E foi com a “Maria”. Agora, pensem comigo. Uma história entre dois jovens, com os mesmos objetivos, músicas em comum (sim, até tínhamos a “nossa música”, enfim, bons ares de que a “cena” era séria, uau!), encantados um pelo outro… onde se imagina o primeiro beijo? Numa praia, pôr-do-sol, por exemplo, só nós. Mas, não. Foi mesmo numa cozinha, a lavar a loiça, depois de um jantar entre colegas de faculdade na casa de uma amiga. Aliás, tudo comigo, e tenho muito esse hábito, tem tendência a ser do mais informal e fora do comum que possa existir. Não que me gabe disso, mas porque é assim que me sinto bem. E a vida flui nesse sentido. Confesso que é o meu jeito trapalhão a falar.

O beijo foi uma explosão de cores. Nossa, era com ela mesmo. Fiz trapos e trapinhos naquele momento. Já não me importava a garrafa de Vodka que estava por cima do balcão da cozinha ou as loiças que estavam por secar. Estávamos bem. Muito. Dali, continuámos a falar, a construir…, mas meteram-se as férias de Natal, afastámo-nos e eu, por alma do destino, nunca consegui fazer O Pedido.

No fim, chorei muito quando a nossa história acabou. É verdade. Doeu. Gritei. O normal no fim de uma “cena” entre duas pessoas que se gostam. Rancores? Nenhuns. Só tenho uma certeza: que foi especial. E hoje sei que, e passados 2 anos, só me fez crescer e encontrar o Amor de uma outra forma.

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