Porquê o desporto?

Foi uma pergunta que sempre me fiz. Tinha, eu, os meus 18 anos e pegar num peso era uma tertúlia dos diabos. Aliás, em todas as minhas aulas de Educação Física, quando estudava no ensino regular, eram uma dor de alma infinita. Correr? Meu Deus! Um horror (ainda hoje não é algo que morra de amores), simplesmente não o fazia. Jogar? Credo, deixa para lá. Ou seja, posso dizer que a minha melhor nota foi por duas razões: andar atrás dos professores (e não que os quisesse conquistar, fora disso, de todo, mas porque havia uma avaliação a manter e a “graxa”, como sabemos, é sempre a nossa maior amiga nesse aspeto) e transportar os materiais da aula… as bolas, os tacos, os cestos, as raquetas, os pinos… sei lá, tudo o que houvesse. Bem, lá mantinha resultados razoáveis. No entanto, olhava muito para mim vezes sem conta. Sempre o fiz. A minha autoestima estava no fundo. Dentes, cabelo, cara, corpo, tom de pele… um pranto só visto. Magro. 60 kg. Em alguns dias 59, consoante o que se comia. Não era, de modo algum, o rapaz que me queria olhar no espelho. Tive de agir.

Comecei por correr, mas cansava-me rápido, ficava maldisposto, dores de cabeça… desisti. Depois passei a fazer pequenas flexões, abdominais… e já era qualquer coisa, mas não tinha o incentivo certo. Ninguém. Até que, por obra do acaso, decidi arriscar, como o faço a toda a hora, e inscrevi-me num ginásio. Era perto de casa, sem grandes dificuldades, conseguia estudar e treinar ao mesmo tempo sem me ocupar muito tempo… tudo bem. Ótimo. Excelente. E os primeiros dias? De morte. O primeiro, então, nem se fala. Não me mexia depois de umas boas horas de sono. Contudo, a desistência estava fora de todos os planos. Pesava-me, olhava-me ao espelho, analisava-me e as coisas pareciam estar a entrar nos eixos, estava a gostar do que via dia após dia. Troquei de ginásio. Queria outro desafio, novas pessoas, novos estímulos, algo mais pesado. Ir para o meio dos matulões para ver o meu objetivo com os olhos. Era isso que queria. E foi aí que cresci, não só em tamanho como em mentalidade. Fez-me ver as coisas de uma outra forma e… viciei. Hoje, o desporto é a minha segunda casa. Se não estiver no ginásio, estou num parque qualquer a treinar barras, novos exercícios… e acima de tudo a ser feliz, porque não o faço por obrigação. Paixão mesmo. É o meu refúgio para soltar as energias menos positivas, aliviar o stress e, consequentemente, ver o meu corpo evoluir num processo estimulante. Ganhei 15kg desde que comecei a treinar, há 2 anos. Quero mais. Muito mais.

Se me perguntarem se este é o corpo que quero? Não. Se me olho no espelho e gosto do que vejo? Sem dúvida alguma. Se me sinto feliz? Nem se pergunta. Se qualquer pessoa pode treinar, seja magra, gorda, preta, branca? Óbvio. O desporto, aliado a uma muito boa alimentação, é a base de qualquer estilo de vida saudável. E este é o ponto mais importante. Contudo, o essencial é sentirmo-nos bem connosco mesmos. Se tu, sim, aí desse lado, te sentes realizado(a) com o que vês no espelho, perfeito. Se isso não acontece, então vamos mudar isso. Sai de casa, faz-te à estrada e procura o que te faz feliz ao olhares para ti próprio, seja na música, teatro, campo, comida, informática, leitura…  No meu caso é o desporto. E é assim que me sinto bem.

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