Mais vale 1 incêndio na floresta do que…

Portugal. Continua a ser, para o bem ou para o mal, a chacota internacional de piadas político-sociais. Nós, portugueses, cidadãos do mundo, também, embora não pareça, cá andamos de mãos dadas a tentar suportar as pontas de quem chega ao Governo e as desfaz como varas verdes em pleno temporal de inverno. Até aqui tudo bem. Mas, e para não estar a começar este texto cheio de metáforas baratas, há um ponto que me arrepia de ano para ano. Os incêndios.

A “Charlie”, que, para quem não conhece, é a dona disto tudo, como se costuma dizer. É o nome dado à época mais crítica do ano, em Portugal, a dos incêndios. Só por este ponto a coisa parece-me muito suspeita. Tal como no futebol, há uma temporada de fogos de norte a sul do país entre junho e agosto, às vezes em setembro e outubro para não haver desconfianças. No resto do ano, tudo muito calado. Lá se fazem umas limpezas, umas trocas de ideias, enfim, uma vida governamental pacífica, até porque na coleção outono/inverno, o catálogo de incêndios é mais reduzido ou mesmo nenhum. Pois bem, é a partir daqui que tudo começa. Porque, e em jeito de confidência, a mão criminosa nas florestas é-me muito suspeita. Quer dizer, pelo menos em nome próprio. Quer-me parecer que há uma espécie de seita (e atenção que não quero, de todo, ferir suscetibilidades) associada a um poder político muito duvidoso entre a sociedade em geral. Um passo, um levantar de braço ou um discurso mais agressivo é tudo posto em causa, até as formigas que passam ao largo do prédio da dona Rosa. Porém, os grandes acontecimentos deste país, os que deveriam ter a sua real importância, desfilam como gatos em tempo de chuva.

Se há lucro com um simples incêndio? Se, com isso, há negócios muito proveitosos? Se há quem beneficie com um chama em mato aberto? Não consigo, de facto, responder-vos a isto, mas no fundo sei que há milhares de empresas que lucram a olhos vistos com um simples fogo de meia dúzia de horas. É que, e nisto concordo, são criadas de ano para ano medidas cada vez mais apertadas no que toca às florestas e às matas abandonadas. De ano para ano, investem-se milhões em mais meios aéreos, terrestres e, até, em mais corpos de intervenção. De ano para ano, os campos são limpos vezes sem conta… e mesmo assim, de ano para ano, os hectares ardidos em solo português deixam uma marca sem precedentes. Paisagens de décadas destruídas em segundos. Habitações de gerações levadas num piscar de olhos. Há todo um poderio que aufere riquezas com a devassidão, no entanto há um país inteiro que fica órfão de um não sei quanto número de valores incalculáveis. É que a madeira queimada vende-se melhor, os helicópteros parados o ano inteiro têm de voar em alguma momento, os meios terrestres têm de ser postos a trabalhar… digamos que, se pensarmos bem, até não é mal pensado, para quem está nos cargos mais altos do Estado, uma queima aqui, outra além.

Muitas são as reportagens que surgem em relação ao assunto ou os canais que se enchem de notícias quando uma chama brota por entre as árvores. Há espetáculo. As pessoas ficam coladas aos ecrãs, aos jornais, às redes sociais… algo que, efetivamente, nos transcende por completo. Já não consigo acreditar que os incêndios de agora não são puras negociatas entre grandes Senhores. Infelizmente, para esses e tantos outros, mais vale 1 incêndio na floresta do que…  

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