“Oh, preto? Cala-te!”

Preto. Ou diria negro? Também poderia apostar em raça negra ou, até, raça africana. Todos eles, para o bem ou para o mal, são sujos de boca. Não fica bem e é porco da nossa parte. É óbvio que quando vemos alguém branco não fazemos questão de o referir em alto e bom som, é uma pessoa. E pode ser portuguesa, mulher e cidadã de valor. Ponto. Não percebo a ideia rústica de nos referirmos a pessoas com tom de pele diferente como… “Olha o preto.”. Entendo que é uma herança que nos foi passada de geração em geração e abandoná-la é um hábito difícil de romper. Chamar preto a um preto, branco a um branco é como chamar gay a um gay, hétero a um hétero ou bicha a uma bicha. Rótulos desnecessários.

De facto, é uma realidade que, infelizmente, ainda vemos quando ligamos a televisão, acedemos às redes sociais ou passamos pela rua entre conversas paralelas. “Já ouviste a notícia? Parece que um homem assaltou uma loja aqui na vila.”. Simples. Curiosidade, sabemos perfeitamente o que aconteceu, não vale a pena tocar mais no assunto. No entanto, há outro cenário possível. “Já ouviste a notícia? Estou chocada! Parece que um homem, assim preto e alto, assaltou uma loja aqui na vila.”. E agora? Em que posição ficamos? Inconscientemente nós fazemos isto. É um discurso tão categoricamente enraizado que mal damos por estas pequenas falhas na conversa. Tentem trocar o “preto” por “branco”. Soa mal, já repararam? Quer dizer, para nós. Nós, digo, portugueses. Mas, calma, quer dizer que os pretos não são portugueses? Então são quê? São todos angolanos, moçambicanos, marroquinos, brasileiros…? Reparem. Todos somos cidadãos, uns mais responsáveis do que outros, é certo, mas todos com os mesmos direitos e deveres, independentemente da cor de pele, feitio ou orientação sexual.

Há pretos gays, assim como brancos héteros, pretos doutores, ministros, engenheiros, assim como brancos criminosos, enfim… o que define cada um, a meu ver, é a personalidade que damos a conhecer aos que nos rodeiam. Aparências só na fotografia. Na vida social valem nada.

Para mim, as palavras têm o sentido que lhes damos e a maneira como as dizemos. Não devemos ter medo de as usar seja em que circunstância for. Preto. Se tivesse de escolher, seria preto. Nunca negro. Acho demasiado politicamente correto para o ano e o século em que vivemos. É facto que os portugueses brancos têm um passado terrível no que à escravatura diz respeito, por isso compreendo que haja alguma apreensão de muitos de nós ao nos referirmos de forma tão direta. Tenho a certeza que atualmente os preconceitos que criamos uns dos outros já deviam estar completamente fora da nossa sociedade. É um pré-conceito que formatamos à nossa imagem, sem, sequer, conhecermos quem é realmente a pessoa à nossa frente. Logo o dizer preto não significa que estamos a ser racistas ou insultuosos. O mal é da cabeça. O mesmo acontece quando soltamos um f***-se. Não significa que somos mal-educados. Significa que temos personalidade. Por isso, é diferente dizer… “eram duas brancas e um preto” de “cala a boca preto, sai.”. A maldade está na forma como nos exprimimos.

Portanto, sugestão: vamos olhar-nos atentamente e esquecer burocracias desnecessárias. Acabemos com essa mania do racismo ou da sujidade que alguns têm porque não são brancos. A esses, lavem-se com lixívia e esfreguem que passa. Acima de tudo, o conselho para todos nós é que nos tratemos por igual. Porque somos todos cidadãos do mundo e todos temos o direito de sê-lo à nossa maneira.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.