A pobre Educação em Portugal…

Transpiramos, fervemos e ficamos fora de nós quando o assunto se trata de falar do nosso país. Esse tão belo Portugal. Claro que, e reivindico desde já, não tenho qualquer intenção de ofender ninguém ou, com isto, tornar-me no próximo comentador político da ribalta, mas digamos que este assunto da Educação me revira as tripas sem perceber muito bem que forças me consomem para ser tão acérrimo defensor de quem, como eu, é jovem e passa, todos os dias, por situações tão desconfortáveis. E as crianças? Coitadas, essas nem abrir a boca podem. São “chacinadas” no minuto a seguir.

Pois bem. Educação. Que desde a Grécia Antiga é tão valorizada. Bem, lições de história a esta hora é pedir para ressacar em cima do computador, por isso tenho a dizer, somente, com todas as letras, que Saber Educar é o pilar mais importante de qualquer sociedade. Não é treta barata que vos quero fazer comprar. É a verdade. Que seria de nós sem aquele aviso da mãe, ou o castigo da avó, ou até da chapada mais bruta do pai. Chapada que hoje em dia já dá direito a prisão. Antigamente era valor altíssimo no seio familiar e, na rua, todos se respeitavam sem invadir o espaço uns dos outros. Responsáveis por isto nós não somos, de todo, ou seremos, se quisermos ter filhos ou enveredar pelo ensino. É que muito se fala, mas os pais e os professores são os motores de qualquer comunidade que se preze. Pouco são falados, louvados ou presenteados por cada bom filho/aluno que tem sucesso, tanto na vida pessoal como profissional. Sem eles que seríamos? Eternos vagabundos de porta em porta? Ou ladrões ao serviço do Estado? Há muito por onde escolher, no entanto tem de haver uma mudança urgente em tudo o que se faz neste país.

Vejo e assisto, porque tenho um irmão mais novo em casa, a um sistema de ensino completamente decadente. Testes, fichas de avaliação e exames que sobrecarregam os alunos dia após dia. Avaliações qualitativas, como se um aluno valesse um Muito Bom ou um Não Satisfaz. Estamos a ensinar os futuros profissionais deste país à base de fichas formativas que nada valem no ingresso para o mercado de trabalho. Olho para o século XX e estamos na mesma base escolar. Alunos sentados, alinhados e virados para uma parede, que por sua vez tem um quadro, onde as aulas se resumem a passar textos e textinhos para os cadernos e caderninhos de cada jovem-criança. Pessoal! Acordem! Reúnam-se, façam barulho, movimentem multidões, falem com muitas pessoas, passem palavra. Não pode continuar a existir esta forma tão convencional de ensinar alunos. Pobre, diria. Onde fica a prática? O saber fazer? O verdadeiro conhecimento? 90% dos alunos, quando sai da escola, não sabe as leis do trabalho, não sabe quem governa o país, não sabe o real sentido do poder de voto, esquecem a matéria que deram na semana anterior… Muitos deles, até, desistem a meio e ficam entregues a part-times para a vida toda… à custa disso, a abstenção aumenta, as tecnologias crescem a um ritmo avassalador, as diversões pós horário escolar são mortas pelos trabalhos de casa, que nada servem, o politicamente correto e os meninos mimados são cada vez mais por aí… enfim, por aqui continuava.

Acho que, e em conclusão, estamos a formar gerações desinteressadas na esfera pública e social. Os pais andam sem tempo para se dedicarem à educação dos filhos e o Ministério faz força para que, nas escolas, o ensino seja o mesmo de há 40 anos. A Finlândia já mudou e muitos outros estão a acompanhar o ritmo por este mundo fora. E nós? Não tenho poder algum, mas todo o cuidado é mestre. E a mudança, a vir, seria um requinte dos portugueses.

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