Nunca apanhei uma bebedeira.

Delicado falar disto? De todo. No entanto, é uma verdade que me acompanha desde sempre. O nunca ter ficado bêbedo. Podem achar que sou um infeliz, que não tenho vida, que me comporto como um desnaturado ou que sou uma desilusão para a comunidade jovem, mas não me arrependo, sabem? Para mim a bebida é somente um veículo para estarmos fora do nosso estado normal e, vá, alcançarmos a nossa felicidade sem que tenhamos de racionalizar muito sobre o assunto.

É facto que, também, não saio muito com amigos, ou nada mesmo. Só aposto mais nessa onda quando há um aniversário ou um qualquer evento mais descontraído. O ficar em casa foi sempre a melhor opção, isto porque, talvez, o foco que tinha para outras coisas, e continuo a ter, estar muito presente naquilo que eu sou. Tive muita sorte nos amigos que fui construindo ao longo da vida. Há os que foram, os que aprendi lições fortes de vida, os que continuam, os que ficam no coração, enfim, não é preciso desenrolar este novelo. O importante é que, apesar de ver os meus amigos todos com um copo de bebida na mão, me respeitavam, independentemente de me servir de uma água ou de um refrigerante. Não era, nem sou nerd, nem esquisito, nem menino dos papás, apenas um rapazito que nunca olhou para um copo de Vodka e viu que aquilo era razão para ser o motor de uma qualquer coisa que quisesse obter. Agora, também vos digo, experimentei de tudo, óbvio. Vinho, cerveja, bebidas brancas, negras, azuis, amarelas… o que seja. Continuo a não gostar e a achar tudo demasiado dissabor para fazer disso a minha animação da noite. Há bebidas de que gosto, evidentemente, porém são mais as que não entram do que as que entram.

“Vens connosco, Fabien, e tomas conta de nós, ok?”. Frase dita vezes sem conta. Não sou pai de ninguém, nem mãe, nem pau mandado para toda a obra, mas claro que ouvi muitas coisas dentro deste género. Ofendido? Jamais. Gosto, acima de tudo, de gozar comigo mesmo e entrar na boa onda de com quem estou no momento, sem fazer conveniência ou algo do género. A minha essência era e continua a ser o bom humor e, vos garanto, o Fabien com sono é mil vezes pior do que qualquer pessoa que esteja com montes de álcool em cima. A minha bebedeira sempre foi o sono, que me faz ser louco e maluco o tempo inteiro, ao ponto de fazer coisas que me põem fora do controlo. O pior de tudo? É que estou perfeitamente consciente daquilo que estou a fazer. Quem está comigo nesses momentos só tem a ganhar e, por isso, é mais uma criança feliz a juntar-se à festa.

Tenho a sorte de, felizmente, poder sorrir e ter não sei quantos parafusos a menos sem recorrer a bebidas. Portanto, o conselho que deixo a todos os que estão a ler esta publicação é que, acima de tudo, se divirtam como se sentem bem e façam divertir os outros sem que sejam antigos ou demasiado senhores da razão. Cada um tem o seu espaço. E viver a pura felicidade é estarmos rodeados das melhores pessoas que nos respeitam, independentemente de como vivemos a nossa maluqueira.  

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