JOKER. Um sorriso que vale milhões.

Vi o filme há duas semanas e, até hoje, tenho estado a ganhar coragem para escrever sobre ele. No entanto, tenho noção que, nesta publicação, não quero valer-me de capacidades que não tenho para falar dos planos mais fechados ou do enredo que se desenrola de determinada maneira. Houve, no fundo, qualquer coisa que me despertou para uma loucura eminente.

Falar do Joker, para mim, é automaticamente falar da irrepreensibilidade do ator Heath Ledger, embora a personagem que o Joaquin Phoenix criou tenha levado um rumo mais humano. É isso que me interessa. A pessoa vestida por baixo daquela máscara de sorriso em riste. Arthur Fleck: o comediante falido que tenta ganhar a vida a fazer de palhaço nas ruas de Nova Iorque e que, contudo, sofre de uma patologia que o impede de estar nervoso sem que, para isso, consiga parar de rir. Bem, é esta a premissa que nos mostra, desde logo, o trailer. Um suspense psicológico. E querem saber uma coisa? É mesmo muito duro de assistir.

As minhas atenções residiram na capacidade que alguém pode ter para cometer crimes e, através disso, ser visto e falado na sociedade. Até que ponto é que alguém, que durante uma vida inteira foi desprezado pela família e amigos, pode vir a tornar-se num criminoso para ter os holofotes incididos sobre si? Foi a maior questão moral que o filme me trouxe. Não fiquei revoltado nem desanimado quando acabou e nem outra razão do género. Senti-me, por outro lado, muito mais sensível para os problemas que me, e que nos, rodeiam a toda a hora. Os perigos das redes sociais, por exemplo, que mal-usadas podem tornar-se num furacão destruidor. Vejo, cada vez mais, jovens da minha idade, e até mais novos que eu, cheios de problemas de autoestima ou inseguros com as suas próprias capacidades. Criou-se uma espécie de bolha em que todos somos obrigados naturalmente a seguir um padrão de perfeição: linhas do corpo certas, homens com músculos, dentes alinhados e esteticamente brancos, roupas em conformidade com “a moda”. E isto é muito perigoso. O Arthur Fleck, um simples comediante com uma patologia normal no campo mental, sofreu com isso e estamos a falar do século XX, em 2020 então…

Não sou ninguém para gostar ou deixar de achar alguma coisa, no entanto o Joker transformou-se numa figura incontornável na vida de todos os que passaram a cruzar-se com ele. O sorriso falso que desenhou na cara representava de forma categórica o que a alma o fazia sentir por dentro. Com o passar do tempo, tenho ainda mais certezas que fingimos ser aquilo que não somos só para agradar o próximo. Porém, para todos aqueles que estão a ler este texto e que, em algum momento, como eu, já se sentiu oprimido, vamos tentar chutar o que de uma vez por todas não importa e saborear a vida! E saboreá-la tal como Joker, perfeitamente nas tintas para as avaliações que nos fazem. (Mas atenção, sem cometer crimes).

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