Vivemos na maior peça de Teatro…

A verdade é que, antes de escrever esta publicação, tenho em cima de mim 15 dias de quarentena, ou digamos que 15 dias nos bastidores de uma peça de teatro que decorre a todo o vapor em todas as ruas do nosso Planeta. Hoje, dia 27 de março de 2020, celebra-se mais um Dia Mundial do Teatro que podia, até, ser mais um dia normal, como todos os outros, nem que fosse pela data formosa em que é festejado, em plena recém-chegada primavera, mas este ano, em especial, é diferente.

Todos já estamos fartos de comer e beber informação relativa ao COVID-19, vulgo novo coronavírus, há quem diga até, em terras norte-americanas, que é um “Vírus Chinês”. Bem, cada um tem o seu papel e cada país está a desempenhá-lo da melhor forma possível. Se para uns é tudo uma fantochada, para outros é mais sério do que aquilo que se pensa. Há até quem ache que é uma calamidade pública sem precedentes e que, não tarda muito, vamos todos morrer sem qualquer salvação possível. Estamos a falar, especificamente, de números nunca antes vistos: 7,7 mil milhões de pessoas, ou seja, o mundo inteiro envolvido numa grande produção teatral, onde parte dessas pessoas no palco, outras a assistir, outras nos bastidores e, ainda, uma intensa artilharia de produtores e cenógrafos que constroem o ambiente perfeitamente idílico para que nenhum pormenor falhe. O género? Bem… pode dizer-se que é uma espécie de tragédia, com comédia à mistura, passando pelo romance e o suspense. Porém, há algo que tem falhado nestes dias: o guião. Até hoje não se sabe quem escreveu o texto, quem planeou todos os nossos passos na peça, quem faz de ponto, quem articula o mistério e o clímax de todo o enredo, enfim… dá-nos alguma ideia que estamos a improvisar algo que não devia tomar essas proporções.

Quando é que tudo isto acaba? Não sabemos. É uma data qualquer, indefinida, mas que já estreou e está a dar provas de ser um sucesso de bilheteira autêntico. No entanto, e enquanto não podemos fazer análises finais, há que elogiar e honrar os verdadeiros artistas da nossa sociedade. No meu caso, e como bom português que sou, o meu mais profundo agradecimento vai para todos os atores e atrizes que nos trazem, diariamente, arte através do pequeno ecrã, nas novelas, nas séries, nos filmes, nas rábulas, nos programas de comédia… enfim, é a esses que estou eternamente grato. Sem eles, que seria da nossa quarentena? Mais vazia? Muito mais. Onde ficariam todos os canais que vivem do cinema e da ficção? Onde ficariam todas as plataformas que sobrevivem graças a esses lucros?

No meio de tudo isto, posso garantir-vos que todos nós temos uma gota de arte e de teatro a correr-nos nas veias. Quando amamos fingimos que que não gostamos para andarem atrás de nós. Quando mentimos fingimos para que não descubram a verdade. E agora que estamos todos fechados em casa é nosso direito fazê-lo da melhor forma possível e nosso dever aplaudir de pé aos que fazem verdadeira arte de palco por este mundo fora.

Ah! E não se esqueçam que continuamos numa brutal peça de Teatro… Cumpram o guião.   

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