50 dias fechado em casa.

Se há um ano me dissessem que ia ter de ficar 7 semanas, ou seja, 50 dias, quer dizer 1200 horas, o que equivalem a 72 mil minutos fechado em casa eu não acreditaria. Privar-me de fazer a minha rotina com todos os meus passos contados ao milímetro é de uma ditadura pessoal inexplicável. No entanto, isso aconteceu. Acho não, tenho a certeza que nos apanhou a todos de surpresa, quando, do nada, tivemos de ficar em casa para ajudar a saúde pública. Para mim, essa foi a minha maior força nestes últimos tempos.

Para além de tudo isso, cresci. E cresci muito. A todos os níveis, pessoal, profissional, familiar… Pude realmente sentir o que me fazia falta de verdade e o que, simplesmente, não me acrescentava nada enquanto pessoa. Levei, e acho que posso falar por todos nós, uma enorme chapada de humildade. Estava a caminhar para um futuro de não sei o quê, com não sei quem e não sabia muito bem se aquela era a estrada certeira para me construir. Encontrei-me, refleti e posso garantir-vos que, certamente, me tornei um ser humano muito melhor a todos os níveis e pude perceber finalmente que a solidariedade, a entreajuda, o companheirismo e, o mais essencial, o amor, meu Deus, são mesmo os quatro pilares da nossa vida.

Não me apeteceu escrever para o blog, porque sinceramente não estava bem, estava exausto de nada. Não fiz a minha rotina diária porque não tinha inspiração para o fazer. Não desenvolvi qualquer projeto porque a dedicação não era a suficiente para o fazer com brio e profissionalismo. Por outro lado, ganhei em tudo o resto: na família, nos amigos e nos bons momentos passados com os meus. 50 dias é muita coisa. Ninguém no seu prefeito juízo consegue imaginar, sequer, o que são tantos dias confinado a quatro paredes. Tudo bem que existem muitos tipos de casa, muitos tipos de atrações e, até, classes sociais. Não é isso que está em jogo, nem aquilo que se quer discutir. O valor de cada casa é o valor que cada um lhe atribui e o valor de cada um é o valor que nós lhe damos. Quem está preso, por exemplo, nem acesso a regalias tem e muitos deles fechados em celas uma vida inteira. Tudo bem que são situações diferentes, porém tudo se engloba no corte das liberdades pessoais. É muito difícil lidarmos com isso e se estivermos sozinhos é angustiante a todos os níveis.

Esta pandemia veio ensinar-nos muitas coisas e trazer-nos os valores básicos para conseguirmos, enfim, vivermos em sociedade. Não estávamos a fazê-lo, pelo contrário, destruíamo-nos minuto a minuto para parecermos ser aquilo que os outros queriam que fôssemos. Felizmente houve alguma coisa, não sei onde, por obra de não sei quem que nos fez parar a tempo de olharmos para dentro e percebermos em que ponto da nossa vida nos encontrávamos. Aos poucos começa a haver um regresso à normalidade, à vida, àquilo que nos preenche. Eu, pelo menos, já sorrio de outra forma. Limpei a mente e sinto-me renovado, como se tivesse feito uma terapia emocional profunda. Estou bem, sinto-me bem e cheio de forças para continuar a fazer aquilo que mais amo e continuar, essencialmente, a fazer o melhor por todos aqueles que eu possa ajudar a tornarem-se um pouco melhores. Cuidem-se. Sempre!

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